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Zumbi escutando blues


Posse vadia

Toda mulher é vadia, dizia o cara,
com cara de filósofo de boteco.
Não acho. Nunca achei. Ao contrário,
Vejo é muita santidade nelas.

Mulheres são vadias quando soltas,
Livres de desembaraços e maridos.
Aí elas namoram e são vadias.
Aí elas traem e gostam de ser traídas.

Depois, viram santas imaculadas.
Em posição genuflexória, cantam
Hinos de louvor para as suas presas;

Porque vadiagem não combina com posse
E, quando a mulher se sente a dona,
Manda em silêncio, como em código morse.

(Linaldo Guedes, da série "poemas machistas")



Escrito por Linaldo Guedes ?s 17h57
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Pensando bem...

A música brega, a verdadeira música brega (aquela de Waldick Soriano, Amado Batista e outros mais ou menos cotados) é barroca. Pensei nisso ao ler texto de André Cananéa (há link para o blogue dele ao lado), onde ele aponta os exageros nos arranjos e nas letras de fossa da música brega. Lembra um pouco o barroco, nos arranjos suntuosos, nas fossas hiperbólicas....

Beto Guedes

Hoje tem show de Beto Guedes e Eleonora Falcone na inauguração da Estação Ciência.
Beto Guedes é um dos grandes nomes da música brasileira. Curti muito no início dos anos 80. Vou à inauguração pra ver Beto Guedes e me deliciar mais uma vez com a voz e o repertório de Eleonora, um dos bons valores da música paraibana. Aliás, a Estação Ciência é um empreendimento que há muito tempo João Pessoa estava precisando.

Machado de Assis

Rinaldo de Fernandes definiu para o dia 10, semana que vem, o lançamento do livro “Capitu mandou flores: contos para Machado de Assis nos cem anos de sua morte”, obra que, além de incluir os dez melhores contos de Machado, traz um conjunto de narrativas recriando esses dez melhores contos e passagens/situações do romance Dom Casmurro.
O lançamento será na Livraria da Vila, em São Paulo.

Bukowski

Relendo Bukovski, vejo o como a cena literária nossa está precisando de algo assim, escrachada, honesta e com uma ironia que não é forjada.
As coisas andam muito certinhas, para não dizer outra coisa...

Vaidade

E tem aquele poeta que sempre que me encontra pede para eu escrever sobre o livro dele.
Confesso que até tinha pensado em escrever, mas diante de tanta cobrança perdi o tesão.
Engraçado como algumas pessoas agem. Não me lembro de ter pedido a alguém, alguma vez, a escrever sobre qualquer livro meu, a não ser na hora de fazer o prefácio, claro.

Telecom

Nicolas Behr entre os votados pro Prêmio Telecom/2008?
Que bom! Que bom que a poesia marginal tem esse reconhecimento...



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h22
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TV Cultura com canal na Flip

        Uma novidade marcará a cobertura desta edição da FLIP – Festa Literária Internacional de Parati, que começa hoje e vai até o dia 6 de julho. Em decorrência do sinal da TV Cultura não pegar na cidade, pela primeira vez, durante todo o evento, a emissora disponibilizará sua programação, 24 horas, no Canal 51 – UHF. Os moradores e turistas que estiverem em Parati terão a chance, além de ver os programas da TV Cultura, de assistir, em primeira-mão, as gravações ao vivo dos programas Roda Viva, que entrevistará Tom Stoppard e Inês Pedrosa, e Letra Livre, que receberá Caco Barcellos e Contardo Calligaris. Haverá ainda edições diárias, ao vivo, do Metrópolis, e a “História Colaborativa”, promovida pelo site do Entrelinhas, em que internautas poderão dar continuidade a histórias literárias, que serão selecionadas e mostradas pelo programa.


COBERTURA:
        O RODA VIVA gravará dois programas especiais no estúdio montado na tenda da TV Cultura. Serão entrevistados o dramaturgo e escritor inglês Tom Stoppard (domingo, 6, às 11h) e a jornalista portuguesa Inês Pedrosa (domingo, 6, às 14h). Esta última entrevista será exibida na segunda-feira, 7/6, às 22h40.
 
        O programa METRÓPOLIS, que agora vai ao ar às 21h30, será transmitido entre os dias 2 e 4, ao vivo, direto de Parati. Os apresentadores Cunha Jr. e Domingas Person mostrarão tudo o que acontece na cidade e trarão entrevistas com as personalidades presentes no evento. Na segunda-feira (7/7), o programa fará um balanço do que aconteceu em Parati no fim de semana.
 
        O ENTRELINHAS, principal programa de literatura da emissora, apresentado por Paula Picarelli, também trará uma grande novidade durante a FLIP: a História Colaborativa. O programa convidou os escritores Emilio Fraia e Vanessa Barbara para iniciar uma história, que está publicada no site (
www.tvcultura.com.br/entrelinhas), e que os internautas darão continuidade. Será postada uma média de cinco versões por dia. Ao final do evento, os dois autores darão a conclusão da história, que vai ao ar dia 20, às 21h30. A atração também fará uma reportagem na FLIP sobre o centenário da morte de Machado de Assis, um dos temas tratados no evento, e gravará entrevistas com vários escritores presentes na Festa Literária, a serem exibidas na edição do dia 13. 
 
        O LETRA LIVRE, programa que promove encontros de escritores consagrados, apresentado por Manoel da Costa Pinto, promoverá o encontro do jornalista Caco Barcellos com o psicanalista e ensaísta Contardo Calligaris, no ar dia 14/7, às 20h30.
 
         O VITRINE marcará presença nos bastidores do evento e fará um making of da FLIP, que irá ao ar no sábado, dia 5/7, às 19h30. Também gravará uma entrevista com o músico Carlos Lyra, para falar sobre os 50 anos da Bossa Nova, que irá ao ar no dia 12.
 
        O ZOOM gravará com Lucrecia Martel, roteirista e diretora argentina que tem, no currículo, longas como O pântano (2001), A menina santa (2004) e La mujer sin cabeza (2008). A entrevista será apresentada no dia 12/7, às 22h40.
 
        Por fim, o JORNAL DA CULTURA trará, entre os dias 2 e 4, a partir das 22h, entradas ao vivo do evento.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h11
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Livro de sonetos de Guilherme de Almeida

Considerado um dos maiores sonetistas do país, Guilherme de Almeida é relembrado nesta nova edição de seu livro Sonetos, com lançamento pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Academia Brasileira de Letras e Academia Paulista de Letras no dia 1º de julho, às 19 horas, na Casa das Rosas (Avenida Paulista, 37, Bela Vista), em São Paulo.
Na obra, estão 108 sonetos publicados originalmente nos livros Nós (1917), Messidor (1919), Livros de horas de Soror Dolorosa (1920), Encantamento (1925), Simplicidade (1929), Você (1931), Acaso (1938) e Poesia Vária (1947) e reunidos em Toda a poesia (1953). Publicado pela primeira vez em 1968 (Martins), esta nova edição traz as datas originais e a procedência de cada um dos sonetos – ausentes na primeira edição.
O texto de apresentação é assinado pelo poeta Paulo Bomfim, amigo e grande admirador de Guilherme, que faz o caminho inverso de tempos atrás: quando lançou “Antônio Triste”, seu livro de estréia em 1947, foi Guilherme de Almeida quem escreveu o prefácio. “Graças ao Guilherme de Almeida fiz do soneto meu traje a rigor para o pensamento. Aprendi com ele que o ritmo é a respiração do que pensamos e que a forma é a prisão que nos liberta”, escreve Bomfim.
Guilherme de Almeida (1890-1969) foi jornalista, ensaísta, tradutor, redator de O Estado de S. Paulo, diretor da Folha da Manhã e da Folha da Noite e fundador do Jornal de São Paulo. Tornou-se imortal da Academia Brasileira de Letras em 1930, quando a instituição se abria aos modernistas, e participou da Revolução Constitucionalista em 1932. Suas traduções das obras de Paul Verlaine e Charles Baudelaire, por exemplo, são referências no meio literário até hoje.

SONETOS
Guilherme de Almeida
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Academia Brasileira de Letras/Academia Paulista de Letras
144 páginas
R$ 20,00


Um poema de Guilherme de Almeida:

Nós

Fico - deixas-me velho. Moça e bela,
partes. Estes gerânios encarnados,
que na janela vivem debruçados,
vão morrer debruçados na janela.

E o piano, o teu canário tagarela,
a lâmpada, o divã, os cortinados:
- "Que é feito dela?" - indagarão - coitados!
E os amigos dirão: - "Que é feito dela?"

Parte! E se, olhando atrás, da extrema curva
da estrada, vires, esbatida e turva,
tremer a alvura dos cabelos meus;

irás pensando, pelo teu caminho,
que essa pobre cabeça de velhinho
é um lenço branco que te diz adeus!



Escrito por Linaldo Guedes ?s 07h58
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Qual Fênix...

Fim do período junino.

Agora é o tempo de retomar as leituras, de voltar ao mundo literário.

Sábado ainda dei um pulinho no Centro Histórico. Dancei forró ao som de Pinto do Acordeon. Pena que no show de Biliu de Campina caiu chuva forte.

Mas é isso. Valeu pelo evento, como já falei anteriormente aqui. E a Funjope está de parabéns.

No domingo, não sai de casa, a não ser para fazer feira.

Ficamos, eu e Amanda, lendo, conversando, enfim...

Li “O Proibidão”, de Marcelo Mirisola, de um gole só.

O livro reúne crônicas “proibidas” do escritor.

Mirisola fica como uma espécie de cronista dessa geração de escritores de meados dos anos 90.

O seu texto sobre a Festa de Paraty, que ele já havia lido em João Pessoa, é impagável. Retrato 3x4 (com alguns exageros, como convém a todo bom escritor) do que acontece nos bastidores de nossa vidinha literária.

Amanda leu “A oficina do Escritor – sobre ler, escrever e publicar”, do Nelson de Oliveira, que eu já havia lido. Livro também muito bom para compreender o ofício da escrita. E para saber sobre a Geração Zero Zero.

Esta semana começo a colocar meus pensamentos literários em dia.

Orelha para livro da Neuza Pinheiro, belo livro que terá prefácio de Augusto de Campos.

Expectativa em torno do lançamento do livro de Rinaldo de Fernandes para a Geração Editorial sobre o centenário de Machado de Assis.

(Falar em centenário, essa semana sai o Correio das Artes sobre Guimarães Rosa)

Começar a pensar com calma na viagem a São Paulo.

Saber de Lucila a quanto anda a Fliporto.

E deixar a preguiça de lado e começar a pensar em meu próximo livro de poemas.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h18
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SEXTA-FEIRA É DIA DE POESIA

Baudelaire

Jaldes Reis de Meneses

I

Através de uma baforada de ópio ou no doce verde do haxixe,
Em um quarto escuro de Hotel, no século XIX, em Paris,
Sentiu um fugidio instante de felicidade. Mas o vinho, o ácido
Favorito dos realistas, fez Baudelaire abandonar os lençóis da cama
E retornar à multidão. A revolução é uma festa de pão, rosas e cravos.
Outrossim, o querubim pode ser um anjo demoníaco disposto a preparar
Uma peça no poeta. O querubim prefere os paraísos artificiais,
Pois nestes sequer habita a utopia, somente a satisfação.

II

Nunca mais, nunca mais, nunca mais, Baudelaire
Abandonará o seu corvo noite adentro. Nada lhe orla a sombra
Doravante, perfume, rubi, diamante, somente a sua nula
Magreza nua de heroísmo. Sequer o vinho, antigo companheiro de jornadas,
Irriga-lhe o sangue. Por outro lado, o pó branco das papoulas
Sabe aureolar a fugacidade. O brilho das ampolas
Ilumina a beleza das passagens de Paris.
Sem revolução, o lirismo refugia-se junto ao ócio.

III

Flores adornam cada estação deste calvário,
São as flores do mal. Assistindo, incógnito, o jogo de cartas do diabo,
Assim, o poeta, despido de aura, caiu estatelado ao chão.
Choque epilético. Delicado e fino, tanta violência e tanta ternura.
O jogo recusa comoção: o jogo funciona conforme a rotina de uma fábrica,
Roleta sempre em recomeço, engrenagem sem experiência nem desejo,
Mórbida alegoria deslizante de valor. Enquanto houver mercadoria
Não haverá poesia, todavia sobrará encantamento.

IV

As coincidências embaralham. O livro se abre ao acaso, na página exata
Do poema que queria ler, assinando e multiplicando
O nome por dois: o poeta e sua passante, a viúva, o gato:
Não se conhecem: uma exclusivamente sua, outra do mundo.
Um fantasma esvoaçante, sombra que se apoderará doravante,
De sua intimidade qual um conhecimento desconhecido.
Convive com ela infantilmente: um ursinho de pelúcia, cobra coral:
Na falta da carne, o consolo do brinquedo.

V

Enfim, entre cúpulas bizantinas de ferro e vidro, por sobre o chão da galeria
O poeta derrama no salão, por amor ao feio e culto ao bizarro,
Um choro ao qual faltam lágrimas, e quer compartilhar
Contigo, infame leitor, profanador, atrevido, cúmplice, mau-caráter,
A mais profunda humildade do mundo.
Solitários, poeta e leitor poderão adentrar aos círculos do inferno
E dali arrancar o beijo lúgubre de Esmeralda.
Frouxo é o arrependimento e tenaz todo o pecado.

(Jaldes Reis de Meneses é poeta e professor. Este poema está na próxima edição do Correio das Artes, que sai às bancas no primeiro final de semana de julho)



Escrito por Linaldo Guedes ?s 07h57
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A formiga e as cigarras

A Fundação Cultural de João Pessoa está indo na contramão dos demais municípios do estado quando o assunto é festa junina.

Felizmente.

Enquanto nos demais municípios há uma proliferação de bandas que tocam de tudo, menos forró, aqui em João Pessoa a tradição regional está sendo mantida e, tenho certeza, que não foi a muito custo.

É um trabalho de formiguinha, é verdade. Mas tenho certeza que se houvesse uma continuidade em no máximo cinco anos o São João da capital paraibana iria chamar a atenção pelo diferencial.

Quem foi sábado à noite na abertura dos festejos juninos de João Pessoa percebeu isso.

No palco principal, três atrações que honram as melhores tradições nordestinas. A cantora potiguar Kristal encantou a todos com um repertório bem típico. O pernambucano Silvério Pessoa não fez diferente. E o paraibano Chico César agitou a multidão, em um show de mais de duas horas onde a entrega do artista foi total.

Eu falei multidão?

Sim, multidão. Para quem pensa que só as bandas de forró de plástico podem atrair público, quebrou a cara.

Muita gente se imprensou na praça Antenor Navarro para ver a banda de Chico César passar.

E não só isso.

No Largo de São Pedro, grupos de cultura popular, tenda de cordel e repentistas.

No conventinho, o show das quadrilhas juninas, com direito a torcida organizada.

É, gente, João Pessoa tem São João. E dos bons.

Nas demais localidades, tocam as mesmas bandas que estão todo o final de semana no Forrock. Aliás, bandas que há muito tempo deixaram de ser de forró. São bandas de uma música pop muito mal feita. Aqui e acolá uma cidade ou outra faz uma, digamos, concessão e coloca na programação nomes como Flávio José e Jorge de Altinho. Mas estes artistas sempre entram como contrapeso. Nunca como astros principais, como merecem.

Como disse, é um trabalho de formiguinha. Mas a Fundação de Cultura de João Pessoa está no caminho certo.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h13
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Será que estamos mesmo no século XXI?

Acabei de saber do amigo e poeta Félix Maraganha, e repasso adiante.

Valmir, da Tribo Ethnos, um grupo que trabalha com hip hop e outros ritmos em suas apresentações, foi expulso de uma escola  chamada Olívio Ribeiro Campos, aqui em João Pessoa.

Motivo? O diretor acha que Hip Hop é coisa de marginal!

Ele ia fazer uma apresentação para a comunidade do que é o hip hop, mas o diretor não permitiu nem os bonés nem a música.

Acreditem, é verdade!!!

A que ponto chegamos?

A coisa toda deve ter desdobramentos. Soube que Vant, líder do grupo, está convidando todo mundo para uma apresentação na mesma escola daqui a duas semanas.

Esse tal diretor deve ter saído de algum sarcófago do antigo Egito. Pode crer.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 15h43
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Oduvaldo Batista e Júlio Charles

Fim do feriado e o retorno ao mundo real.

De cara, duas notícias tristes, que envolvem mortes de pessoas conhecidas.

Oduvaldo Batista, uma dessas mortes. Soube através de minha mãe.

Oduvaldo era jornalista com atuação marcante os movimentos políticos-sociais.

Idealista, ainda acreditava nos ideais da Revolução Cubana.

Embora de gerações diferentes, nos respeitávamos mutuamente.

Tanto que Oduvaldo chegou a escrever um texto sobre meu primeiro livro, na época em que ele foi lançado.

Júlio Charles, a outra morte.

Este, músico.

Liderou o grupo de rock Limousine 58, em João Pessoa, na década de 80.

Vivíamos o auge do rock nacional.

No Brasil, multiplicavam-se as bandas de rock, em todos os estilos.

A Paraíba não poderia ficar à margem desse processo.

E Júlio Charles (junto com Ricardo Fabião e Robério Jacinto) criaram uma banda de rock-pop que fez muito sucesso na capital paraibana. Músicas como “Mistérios” e “Marcou geral” ainda estão bem vivas na memória de quem viveu àquela época. “Mistérios”, então, foi um grande sucesso e tocava direto em nossas emissoras de rádio.

É.

Que as cinzas juninas coloquem-os em bom lugar.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h02
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SEXTA TAMBÉM PODE SER DIA DE SÃO JOÃO

Hoje não tem poesia.
Ou melhor: tem a poesia do São João, esta festa maravilhosa.
Deixo aqui uma música de Luiz Gonzaga que resume bem a magia deste período.
E vou ali, em busca de milho verde, pamonha, canjica e, claro, uma caninha, porque ninguém é de ferro.
Bom São João a todos.

Olha pro céu
(Luiz Gonzaga e José Fernandes)

Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha pra aquele balão multicor
Como no céu vai sumindo

Foi numa noite igual a esta
Que tu me deste o coração
O céu estava assim em festa
Porque era noite de São João

Havia balões no ar
Xote, baião no salão
E no terreiro, o teu olhar
Que incendiou
Meu coração



Escrito por Linaldo Guedes ?s 07h59
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Zumbi já entra hoje em ritmo de São João.

Não sem antes lamentar a morte do compositor Genival Macedo. Ele que fez a composição que acabou se transformando no hino não oficial de João Pessoa.

Lembram?

Meu sublime torrão

“Num recanto bonito do Brasil
Sorri a minha terra amada
Onde o azul do céu
É mais cor de anil
Onde o Sol tão quente
Parece mais gentil

Lá, eu nasci, me criei,
Fiz canções e amei
Sempre tive inspiração

Lá, no Nordeste imenso,
Tem um fulgor intenso
Meu Sublime torrão

A minha terra
Que só encerra
Belezas mil
Pode ser chamada
A namorada
Do meu Brasil

Minha terra tem
O Cantar dos passarinhos
Na lagoa, os gansinhos
Com seu nado devagar
As morenas tão gentis
Ostentando os seus perfis
Numa noite de luar

Não tem a fama da baiana
Mas a paraibana
Sabe amar, tem sedução
Paraíba hospitaleira
Morena brasileira
Do meu coração.

Pois é. Uma pena.

Mas, voltando ao São João.
É, sem dúvida, a maior festa popular do Nordeste.
Em todos os recantos da região, nesta época, tem um trio de forró ou grandes eventos musicais saudando nossa música típica, tudo regado a uma cachacinha com pamonha, canjica e milho verde.

Este ano, a prefeitura de João Pessoa elaborou uma programação bacana, priorizando nossas raízes culturais, sem espaço para o chamado forró de plástico.
Confiram:

Sábado
21 de Junho
Khristal
Silvério Pessoa
Chico César

Domingo

22 de Junho
Maciel Salú
Os Cabras de Mateus

Segunda-feira
23 de Junho
Quinteto Violado
Clã Brasil

Terça-feira
24 de Junho
Jackeline Alves
Antonio Barros e Cecéu

Quarta-feira
25 de Junho
Hermelinda
Dejinha de Monteiro

Quinta-feira
26 de Junho
Isabel Aquino, Maria Juliana (homenagem a Manoel Serafim)
Maciel Melo

Sexta-feira
27 de Junho
Mayra Barros
Petrúcio Amorim

Sábado
28 de Junho
Pinto do Acordeon
Biliu de Campina

Domingo
29 de Junho
Jessier Quirino
Santana

Vou tentar estar por lá todas as noites. Mas alguns shows não perco de forma alguma: Santana, Pinto do Acordeon, Antonio Barros e Cecéu, Maciel Melo, Quinteto Violado e Chico César.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h00
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Pensando a poesia

“Porém, sempre acreditei que a poética concreta, em vez de eliminar o verso, ampliou-o, enriqueceu-o, exatamente como o avô de todos os poemas concretos, Um Lance de Dados, de Mallarmé, fez há mais de cem anos. Diferente do que está nos manifestos, o verso não desapareceu de poemas como Coca, Cola, Nasce/morre, Vai e Vem, O Pulsar e Pós-tudo, ele ganhou foi nova roupagem. Ganhou cor, som, movimento e perspectiva. Novas e arrojadas tipologias foram convocadas para quebrar o rigor e a sobriedade das tipologias clássicas. O horizonte do verso ampliou-se, adquirindo dimensão insuspeitada, no momento em que o espaço branco da página ganhou mais prestígio. O universo do verso, microcosmo de significados, agora é maior”.

- Nelson de Oliveira, em trecho do livro “A oficina do Escritor – sobre ler, escrever e publicar”, lançado recentemente pela Ateliê Editorial.

Aliás, nesta quinta-feira, às 19h, acontecerá uma entrevista pública com o escritor Nelson de Oliveira na Livraria do Sobrado, localizada na Avenida Moema, 493, em São Paulo. Este será o segundo evento do ciclo "Letras na Sobrado", coordenado pela Andréa Del Fuego e por Cláudio Daniel, que tem por objetivo levar poetas e prosadores brasileiros contemporâneos para debater com o público na livraria.
Para quem está em Sampa, vale a pena ir.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 07h57
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As modas literárias

Braulio Tavares   

Houve uma época, a partir dos anos 1960, em que o sucesso de Guimarães Rosa e James Joyce dava aos jovens da minha geração a idéia de que escrever bem era inventar palavras novas o tempo inteiro, recriar o “fluxo de consciência” dos personagens, etc. Foi um momento salutar para a literatura. Ajudou a libertar o talento de escritores que tinham instintivamente esse perfil mas não achavam um ambiente propício junto à crítica e o público. Rosa e Joyce os libertaram para ser quem realmente eram.  O problema é com os escritores que não eram assim, mas acharam que para serem publicados e admirados teriam que escrever assim.  A gente sente, instintivamente, quando o autor não tem uma idéia muito clara do que está fazendo, e que o faz somente para seguir uma moda. 

Talvez Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Rubem Fonseca sejam os autores brasileiros com maior número de seguidores hoje em dia.  “Seguidores” são pessoas que sofreram uma forte influência.  São os que se identificaram a tal ponto com Fulano de Tal que absorveram suas idéias, suas opiniões, seu vocabulário, seu ritmo de fala, seus cacoetes, seus preconceitos, seus equívocos.  Ao escrever, vibram em uníssono com o espírito de Fulano, e o que fazem não é nem sequer imitação, chega a ser quase uma psicografia mediúnica (mais admirável ainda quando se trata de autor vivo).

No caso de Clarice e de Rosa, é principalmente a linguagem que escraviza os jovens imitadores.  Há leitores com uma propensão instintiva para o jogo lúdico da linguagem, a montagem e desmontagem de palavras novas, a derivação imprevisível, que são características de Rosa. Como ainda são muito jovens, não tiveram tempo de desenvolver isto por conta própria, e ao ler “Grande Sertão” na adolescência sofrem uma conversão brutal e definitiva como a que São Paulo sofreu na estrada de Damasco.   Tornam-se rosianos, antes de terem tempo de ser quem são.

O mesmo se dá com Clarice, com sua sintaxe truncada que corresponde de maneira tão tocante às dificuldades dos adolescentes em produzir um raciocínio coerente com começo, meio e fim.  Estão ali as crises de identidade em que nos sentimos dezenas de seres contraditórios e incompatíveis. As neuroses mansas que em vez de nos destruir como um fogo nos mantêm insones como uma luz.  A catação incessante de cacos de uma realidade nunca apreendida por inteiro, e onde tudo oscila entre o urgente e o irremediável.  

Já Rubem Fonseca veio ao encontro de numerosos escritores com propensão para a prosa jornalística, a ética estóica do “roman noir” americano, e um cinismo “blasé” e auto-suficiente que é tão carioca.  Rubem fez com a narrativa policial brasileira o que Dashiell Hammett fez com a americana.  Suas lições (como as de Rosa e Clarice) são numerosas e enriquecedoras, mas mais fácil do que estudar seus métodos (o que certos autores fazem com êxito) é tentar reproduzir seus resultados, o que já naufragou tanta gente. 

(Coluna de Braulio Tavares publicada no Jornal da Paraíba, edição de 11.5.2008)



Escrito por Linaldo Guedes ?s 07h49
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Entrevista com Rinaldo de Fernandes

Esta não é a sua primeira antologia sobre um autor de renome. Antes, já havia feito outras, sobre Euclides da Cunha (O Clarim e a Oração), Chico Buarque (Chico Buarque do Brasil) e Guimarães Rosa (Quartas histórias). Que critérios você utiliza na seleção dos autores que são incluídos nas antologias?
Rinaldo de Fernandes – O primeiro, e principal, é o critério do bom texto. Todos os autores que convido já têm obras publicadas e, alguns deles, um trabalho já consagrado. Normalmente, junto consagrados, emergentes e jovens promessas. Além disso, não priorizo o eixo Rio-São Paulo, convidando autores de várias regiões. O Nordeste (a Paraíba, Pernambuco, o Ceará e a Bahia, em especial) tem sido sempre muito bem representado em minhas antologias. Há ótimos contistas aqui na Paraíba, a exemplo de Marilia Arnaud, Aldo Lopes e Geraldo Maciel, para citar só estes três. O trabalho que desenvolve o Clube do Conto é dos mais importantes, admiro muito.

De um modo geral, os autores convidados a participarem das antologias têm correspondido às suas expectativas?
Rinaldo de Fernandes – Sim. Aqui e ali, até pela natureza de minha proposta – a recriação de autores clássicos de nossa literatura –, há casos em que tomo a liberdade de sugerir algumas mudanças no texto. Isto é raro acontecer, mas, quando acontece, os autores entendem o meu gesto, sabem que eu, no trabalho de organizador, estou tendo uma visão de conjunto dos textos da coletânea. Os colaboradores de minhas coletâneas, além de competentes, sempre foram muito gentis comigo.   

(Trecho de entrevista com Rinaldo de Fernandes sobre o seu livro, Capitu mandou flores: contos para Machado de Assis nos 100 anos de sua morte, que será lançado agora em julho, em São Paulo, e que reúne textos de e sobre Machado de Assis. A entrevista completa está no site Cronópios: http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=3323)

Cananéa com blogue

O jornalista André Cananéa está com um blogue na rede virtual.
Cananéa é da novíssima geração do jornalismo paraibano e edita, com muita competência, o caderno de cultura do Jornal da Paraíba.
O link para o blogue:
www.meublognaweb.blogspot.com



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h24
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SEXTA-FEIRA É DIA DE POESIA

AR DE NOTURNO

Federico Garcia Lorca

Tenho muito medo
das folhas mortas,
medo dos prados
cheios de orvalho.
eu vou dormir;
se não me despertas,
deixarei a teu lado meu coração frio.

O que é isso que soa
bem longe ?
Amor. O vento nas vidraças,
amor meu !

Pus em ti colares
com gemas de aurora.
Por que me abandonas
neste caminho ?
Se vais muito longe,
meu pássaro chora
e a verde vinha
não dará seu vinho.

O que é isso que soa
bem longe ?
Amor. O vento nas vidraças,
amor meu !

Nunca saberás,
esfinge de neve,
o muito que eu
haveria de te querer
essas madrugadas
quando chove
e no ramo seco
se desfaz o ninho.

O que é isso que soa
bem longe ?
Amor. O vento nas vidraças,
amor meu !

( tradução:  William Agel de Melo )



Escrito por Linaldo Guedes ?s 07h59
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