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escutam blues (1998)

 

 

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Zumbi escutando blues


Rádio Tabajara lança nova logomarca, estréia programas e anuncia festival de música


 O Governo do Estado, através da Secretaria de Comunicação Institucional e da Rádio Tabajara, apresentará ao público nesta quinta-feira, 2 de julho, a nova logomarca da emissora oficial em solenidade a partir das 8h30 na Fundação Casa de José Américo, Av. Cabo Branco, em João pessoa. A arte da nova logomarca foi criada pelo designer Milton Nóbrega, atual diretor de Operações de A União.
 Na mesma ocasião, o diretor superintendente da Tabajara AM e FM, Ruy César de Vasconcelos Leitão, também anunciará estréias de programas nas duas emissoras estatais, concluindo a nova grade de programação. Dentre os programas que vão estrear na Tabajara FM, emissora que completa em agosto 10 anos, Ruy Leitão cita “Arquivo MPB”.
O crítico de música e jornalista Ricardo Anísio vai produzir e apresentar o programa, junto com o cantor, compositor e radialista Jadir Camargo. “Arquivo MPB” vai ao ar a partir do dia 11 deste mês, sempre aos sábados, das 16h às 18h, na Tabajara 105.5 FM. Um outro programa na FM, é o “Diversitá” - Dicas da programação cultural e de lazer da cidade. A informação tratada com leveza e agilidade, traduzida em críticas, dicas, reportagens e entrevistas para divulgar a cultura paraibana. Apresentação de Ricardo Oliveira. Sempre na sexta-feira, das 18h às 19h.
 Festival de Música - Ainda no evento será lançado o regulamento da etapa Paraíba do Festival Nacional de Música da Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub). A entidade congrega hoje 33 emissoras e é presidida por Ney Messias. Na Paraíba o festival será produzido e dirigido pelas rádios Tabajara AM e FM. “É grande a expectativa de compositores, instrumentistas e intérpretes paraibanos que inscreverão músicas no festival, um evento que será um marco cultural no Estado neste ano de 2009”, revela Ruy Leitão.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h08
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RAZÃO DE SER

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Paulo Leminski



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h02
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Encontro com finalistas do Prêmio São Paulo

A partir de terça-feira (30.06), um ciclo de eventos promovidos pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo aproxima o público leitor e os 10 finalistas de cada categoria - melhor livro e melhor livro de autor estreante - do Prêmio São Paulo de Literatura 2009. O resultado do prêmio, que concede R$ 200 mil para o vencedor de cada categoria, será anunciado no dia 3 de agosto, no Museu da Língua Portuguesa.

São seis eventos gratuitos, abertos ao público, incluindo um happy hour com os escritores. A Livraria Cultura, a Casa das Rosas, a Livraria da Vila e até o bar Mercearia São Pedro, o mais literário dos bares de São Paulo são os locais onde escritores e leitores vão se encontrar para conversar, pensar e vivenciar a literatura.

O escritor João Gilberto Noll abre a série de eventos, na Casa das Rosas, na terça-feira (30.06), das 19h às 20h30, com leitura e discussão de trechos de suas obras, incluindo o livro que concorre ao Prêmio, Acenos e afagos.

A série de eventos inclui diferentes mesas de discussões como “Escritores que ensinam – com Maria Esther Maciel, Marcus Freitas e Rinaldo de Fernandes”, sobre o ofício de professor, segunda-feira (06.07), das 18h às 19h30; “Encontro de Gerações - com Moacyr Scliar e Altair Martins”, ambos gaúchos, porém em diferentes estágios da carreira e categorias do Prêmio, segunda-feira (13.07), das 19h às 20h30; “Escrever a quatro mãos e pela internet - com Vanessa Barbara e Emilio Fraia”, que juntos tiveram esta experiência na criação do livro O verão do Chibo, quarta-feira (15.07), das 19h às 20h30; “A psicanálise e a filosofia na literatura – com Contardo Calligaris, Livia Garcia-Roza e Maria Cecilia Gomes dos Reis”, em que os dois primeiros, psicanalistas, encontram a professora de filosofia e tradutora de Aristóteles direto do grego para o português, segunda-feira (20.07), das 18h às 19h30. No happy hour com autores finalistas do Prêmio, na segunda-feira (27.07), das 19h às 20h30, estarão presentes escritores como Estevão Azevedo, Javier Arancibia Contreras, Carola Saavedra, Walther Moreira Santos e Ronaldo Correia de Brito.

“O objetivo dos eventos é ampliar ainda mais o alcance do Prêmio, levando os escritores ao encontro do público que assim pode conhecer mais e melhor as obras e os autores. Por isso escolhemos formatos e lugares diferenciados para os bate-papos”, diz André Sturm, coordenador do Prêmio São Paulo de Literatura. “Também queremos dar continuidade às atividades da Secretaria de Estado da Cultura relacionadas à literatura, como o Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura, que aconteceu no último final de semana de maio em São Francisco Xavier, em que se reuniram os vencedores e finalistas do Prêmio do ano passado”.

 
Programação

Terça-feira (30.06) - Leitura comentada da obra de João Gilberto Noll

Com: João Gilberto Noll
Horário: 19h às 20h30
Local: Casa das Rosas - Av. Paulista, 37, Bela Vista. Tel. (11) 3285-6986 / 3288-9447
70 lugares. Sujeito a lotação.
Classificação etária: 14 anos

Segunda-feira (06.07) - Escritores que ensinam
Com Maria Esther Maciel, Marcus Freitas e Rinaldo de Fernandes
Horário: 18h às 19h30
Local: Livraria Cultura do Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2073, Cerqueira César. Teatro Eva Herz. Tel. (11) 3170-4033
166 lugares. Sujeito a lotação.
Classificação etária: 14 anos

Segunda-feira (13.07) - Encontro de gerações
Com Moacyr Scliar e Altair Martins
Horário: 19h às 20h30
Local: Livraria da Vila – Al. Lorena, 1731 – Jardins. Tel. (11) 3062-1063
60 lugares. Sujeito a lotação.
Classificação etária: 14 anos

Quarta-feira (15.07) - Escrever a quatro mãos e pela internet
Com Vanessa Barbara e Emilio Fraia
Horário: 19h às 20h30
Local: Casa das Rosas - Av. Paulista, 37, Bela Vista. Tel. (11) 3285-6986 / 3288-9447
50 lugares. Sujeito a lotação.
Classificação etária: 14 anos

Segunda-feira (20.07) - A psicanálise e a filosofia na literatura
Com Contardo Calligaris, Livia Garcia-Roza e Maria Cecilia Gomes dos Reis
Horário: 18h às 19h30
Local: Livraria Cultura Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2073, Cerqueira César. Teatro Eva Herz. Tel. (11) 3170-4033
166 lugares. Sujeito a lotação.
Classificação etária: 14 anos

Segunda-feira (27.07) - Happy hour com autores finalistas do Prêmio
Com Estevão Azevedo, Javier Arancibia Contreras, Carola Saavedra, Walther Moreira Santos e Ronaldo Correia de Brito
Horário: 19h às 20h30
Local: Mercearia São Pedro – R. Rodésia, 34, Vila Madalena. Tel. (11) 3815-7200
Sujeito a lotação.
Classificação etária: 18 anos

Veja abaixo a lista completa dos autores finalistas e respectivos livros do Prêmio São Paulo de Literatura (em ordem alfabética):

Melhor Livro do Ano (de 2008):

Carola Saavedra, Flores azuis (Companhia das Letras)
João Gilberto Noll, Acenos e afagos (Record)
José Saramago, A viagem do elefante (Companhia das Letras)
Lívia Garcia-Roza, Milamor (Record)
Maria Esther Maciel, O livro dos nomes (Companhia das Letras)
Milton Hatoum, Órfãos do Eldorado (Companhia das Letras)
Moacyr Scliar, Manual da paixão solitária (Companhia das Letras)
Ronaldo Correia de Brito, Galiléia (Editora Objetiva)
Silviano Santiago, Heranças (Rocco)
Walther Moreira Santos, O ciclista (Autêntica Editora)

 
Melhor Livro do Ano - Autor Estreante (de 2008):

Altair Martins, A parede no escuro (Record)
Contardo Calligaris, O conto do amor (Companhia das Letras)
Estevão Azevedo, Nunca o nome do menino (Editora Terceiro Nome)
Francisco Azevedo, O Arroz de Palma (Record)
Javier Arancibia Contreras, Imóbile  (7 Letras)
Marcus Freitas, Peixe morto (Autêntica Editora)
Maria Cecília Gomes dos Reis, O mundo segundo Laura Ni (Editora 34)
Rinaldo de Fernandes, Rita no pomar (7 Letras)
Sérgio Guimarães, Zé, Mizé, Camarada André (Record)
Vanessa Barbara e Emilio Fraia, O verão do Chibo (Editora Objetiva)



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h01
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Cabral na Coyote

“Quando estava morando em Barcelona, tinha acabado de escrever e publicar a ‘Psicologia da Composição’ e estava certo de que não iria mais escrever poesia. (...) Tinha a impressão que havia chegado a um extremo tal de intelectualismo, por assim dizer, com a ‘Psicologia da Composição’, que não tinha mais sentido seguir naquele caminho." A revelação surpreendente de João Cabral de Mello Neto dá o tom da entrevista feita pelo poeta gaúcho Thomaz Albornoz Neves, no outono de 1993 – um dos destaques da nova edição da revista Coyote.

Com sua linha editorial calcada na radicalidade e na diversidade de vozes e visões artísticas, Coyote 19 mostra também uma nova safra de poemas de Ademir Assunção e Annita Costa Malufe, a densa e atormentada dicção da poeta espanhola radicada no Paraguai, Montserrat Alvarez, em poemas traduzidos por Luiz Roberto Guedes, contos de Marcelo Maluf e Reni Adriano Batista, além de quadrinhos da dupla Teo Adorno e Luiz Brás.

A revista apresenta ainda um conto do norte-americano Donald Barthelme (traduzido por Caetano Waldrigues Galindo) e ensaio fotográfico do londrinense Rogério Ivano.

Em seus sete anos de atividade, Coyote prossegue abrindo espaço para novos autores, resgatando e apresentando nomes importantes das letras e das artes, de épocas e lugares diferentes, instigando a reflexão e a criação literária. A revista é patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) da cidade de Londrina.

COYOTE é editada pelos poetas Ademir Assunção, Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes. Projeto gráfico de Marcos Losnak. Distribuição nacional (em livrarias) pela Editora Iluminuras. 

COYOTE 19 // 52 páginas  // R$ 10,00

Uma publicação da Kan Editora. Vendas em livrarias de todo o país pela Editora Iluminuras – fone (11) 3031-6161 (site: www.iluminuras.com.br). Pode ser adquirida também na internet pelo Sebo do Bac: www.sebodobac.com



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h20
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A música pop dançou!!!



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h05
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Escritor Ronaldo Correia de Brito lança romance "Galileia"

Considerado um dos três melhores romances brasileiros de 2008, o livro "Galileia" será alvo de debate, tendo como figura central o seu autor, Ronaldo Correia de Brito, uma das vozes mais originais da literatura brasileira contemporânea.

O debate e o lançamento do livro acontecerão dentro do programa Literato, no cineteatro do Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 - 2º andar - Centro - fone: (85) 3464.3108), na próxima terça-feira, 30, às 19 horas, com entrada franca.

Ronaldo Correia de Brito conversará sobre literatura e a sua obra em lançamento com os escritores Pedro Salgueiro e Jorge Pieiro, além do público presente ao Centro Cultural, que poderá formular perguntas por escrito.

Para Antonio Gonçalves Filho, crítico do jornal O Estado de S. Paulo, o modo de construção de Ronaldo Correia de Brito no romance "Galileia" é cinematográfico. "Econômico, conciso, cortante, ele reúne os fragmentos da tradição oral e ergue uma catedral literária com os cacos da ruína sertaneja e da tragédia clássica", destaca.

Ronaldo Correia de Brito nasceu em Saboeiro, sertão dos Inhamuns, no Ceará, em 1º de outubro de 1950. Mora em Recife desde os 17 anos. É médico formado pela Universidade Federal de Pernambuco.

Desenvolveu pesquisas e escreveu diversos textos sobre literatura oral e brinquedos de tradição popular, além de ter sido escritor residente e professor visitante da Universidade da Califórnia, em Berkeley, no ano de 2007.

Escreveu os livros de contos "As noites e os dias" (1997), editado pela Bagaço, "Faca" (2003), "Livro dos homens" (2005) e a novela infanto-juvenil "O pavão misterioso" (2004), todos publicados pela Cosac Naify.

Dramaturgo e encenador, é autor das peças "Baile do menino Deus", encenada já há 25 anos por todo o Brasil, "Bandeira de São João" e "Arlequim". Escreveu durante sete anos para a coluna Entremez, da revista Continente Multicultural (Recife/PE), e atualmente assina uma coluna semanal na revista Terra Magazine, do Portal Terra.

 

Um releitura do sertão

Quando lancei As noites e os dias, em 1997, pela editora Bagaço, o poeta Alberto Cunha Melo escreveu que meus personagens são complexamente urbanos e habitam um sertão sem endereço certo, que pode estar em qualquer latitude. Em Galileia, os primos Davi, Ismael e Adonias procuram reconstruir suas vidas na Noruega, no Recife e em São Paulo, longe do sertão em que nasceram. Por mais que eles tenham se distanciado da violência que ronda a família, voltarão a senti-la de perto, descobrindo que nunca escaparam ao destino que os cerca.

O sertão tanto pode significar um espaço mítico como um acidente geográfico. Santo Agostinho perguntava sobre o tempo: o que é o tempo? Se não me perguntam eu sei, se me perguntam, desconheço. O que é o sertão? Se não me perguntam eu sei, se me perguntam desconheço. O sertão é abstrato ou real como o tempo. E continuará sendo tema para a literatura. O sertão é um espaço de memória confundido com o urbano. É o melhor lugar do mundo para acessar a Internet, porque as Lan Houses cobram apenas cinquenta centavos por hora. Galileia trata dessas idas e vindas, mergulhos e retornos nesse mundo suburbano chamado sertão.

Sou inteiramente aberto às influências. Não estou nem aí para qualquer tipo de fidelidade. Sou marcado pela escrita de Rulfo, Borges e de vários escritores russos. O livro que marcou mais profundamente minha escrita foi a História Sagrada, que sempre li como um compêndio de narrativas e nunca como um escrito religioso. Concordo com o ponto de vista de Robert Alter de que a Bíblia é prosa de ficção.

Eu precisava escrever um romance para ter mais espaço para discussões que não cabem no conto. Mas, sou um romancista conciso. Nunca conseguiria escrever centenas de páginas como os russos e os escritores de língua inglesa. Levei a mesma tensão dos meus contos para o romance. E isso se alcança em poucas páginas.

Trabalho duas propostas de Ítalo Calvino na minha literatura: a exatidão e a rapidez. Sou obsessivo em tentar dizer o essencial com poucas palavras. A cada dia me preocupo menos com o efeito das frases. Já não tento alcançar a beleza; prefiro alcançar a verdade. Quase não crio metáforas e censuro os adjetivos. Acho que sou esquemático, o que não deixa de ser um perigo para a literatura. Mas não suporto gorduras, sempre busco chegar ao osso.

Sou um escritor psicanalisado e minha escrita reflete isso. Nunca quis exercer o papel de psicanalista, embora tenha feito formação. Não conheço boa literatura escrita por psicanalistas. O hábito profissional da escuta e da escrita psicanalítica contamina a criação literária e o resultado é sempre ruim. Freud escreveu boa literatura. Não digo o mesmo de Jacques Lacan.

Quando terminei de escrever Galileia, tive a impressão de que havia escrito o roteiro de um filme. Escrevo sempre a partir de impressões visuais, arranjos de cena. Nunca escrevi por sugestão deste ou daquele texto literário. As imagens do cinema me sugerem muito mais profundamente do que um conto ou novela. Escrevo teatro com facilidade. Sou um homem de teatro, conheço a carpintaria teatral. Escrever para cinema e teatro é bom porque podemos acompanhar a encenação ou a filmagem, vemos a transformação do texto numa outra linguagem.

Escrever é um ofício custoso. É necessário ler muito, aguentar o tranco da solidão, ser capaz de uma viagem interior e estar sempre aberto às novas experiências da escrita. É um ofício amargo, duro, uma verdadeira ascese. Não vejo nenhum glamour em ser escritor. Só reconheço nessa profissão muito trabalho, uma busca permanente da literatura e horas contínuas de estudo.

Continuo trabalhando como médico e não pretendo me afastar da medicina, nunca. Escrever e atuar como médico são atividades sem conflito. Acho que não seria escritor sem o longo e exaustivo exercício da medicina. Todos os dias eu convivo com o sofrimento, com a doença, com a morte e a alegria da cura. Ouço histórias que anoto e que podem aparecer em algum conto ou novela. Em "Livro dos Homens" existem dois contos desenvolvidos a partir de minha vivência no hospital.

Só consigo viver fazendo muitas coisas. Todas elas estão harmonizadas e é como se eu me movimentasse dentro de um mesmo universo. Gostaria de escrever um livro que me deixasse satisfeito. Isso nunca acontecerá. Estou sempre esperando por esse livro. Ah, se fosse Galileia! Mas tenho consciência da minha permanente insatisfação e já estou trabalhando em novos livros. Queria viver mais serenamente, sem a angústia da espera. Não desejar e não esperar. Isso é quase a santidade.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h01
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Conversas em torno da fogueira

Meu pequeno Vinícius descobriu, enfim, o significado da palavra saudade.

E vive dizendo, ao telefone, que está com saudades de mim.

É gratificante ouvir ele em sua voz trôpega falar isso.

Porque saudade é um sentimento que não se explica. Apenas se sente.

Como hoje, véspera de São João, tenho saudades imensas desta tradicional festa nordestina.

Não do que a festa se transformou nos dias de hoje: muita pompa e pouca tradição.

Mas de coisas menos glamourosas, tipo soltar track, chuvinha, fazer brincadeiras em torno da fogueira, comer milho e ouvir muito forró.

Lembro que cheguei a ganhar dois afilhados de fogueira. Será que ainda fazem isso hoje?

Bom, saudade é bom quando não dói.

Hoje vou à casa de minha mãe, tentar reviver essa tradição. Em família, com meu tio que chegou de São Paulo.

Conversas em torno da fogueira, com um autêntico forró ao fundo.

E deixar que a saudade fique pairando no ar.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h13
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Diploma de jornalista

 Por Petrônio Souto

 Me tornei jornalista pelo enorme desejo de ser jornalista. Nem quero falar nessa história de vocação. Troquei a vida tranqüila e bem remunerada de um cartório da família, onde ganhava muito dinheiro para um rapaz da minha idade, para fazer jornalismo. A única conseqüência foi de ordem material. Até hoje vivo liso, sem grana até para cuidar bem da saúde.

 Me lembro que em 10 minutos de conversa com Barreto Neto, jornalista sem diploma que sabia tudo da profissão, aprendi as técnicas que a universidade não consegue ensinar aos novatos, até porque os modos de produção avançam num ritmo que a universidade jamais acompanhará.

 Do papo com Barretinho, saí direto para entrevistar Gilberto Freyre, que lançava na cidade o “Além do apenas moderno: sugestões em torno de possíveis futuros do homem”, obra que era a badalação do mercado editorial, em 1973.

 Professor Barretinho, gente muito fina, aprovou meu trabalho e me mandou entrevistar o marechal Juarez Távora, que viera fazer uma palestra no auditório da Reitoria, ainda na avenida Getúlio Vargas, lançando na ocasião seu livro de memórias - “Uma vida de muitas lutas”. Sem grana, mas espiritualmente recompensado, fiz jornalismo por mais de 30 anos.

Hoje afastado do batente, dou boas gargalhadas com essa polêmica do diploma. Jornalismo não é ciência. Nunca foi. O jornalismo da Paraíba e do Brasil não melhorou com a universidade. Os talentos que se apresentam aos editores são os talentos de sempre, figuras que sempre existiram e existirão, apesar da linha de montagem instalada nos campi, obra da universidade e sua velha mania de querer monopolizar o conhecimento humano.

 Pode anotar. Nada vai acontecer com essa decisão do STF. A vida continuará normalmente. Tudo será como antes. Há jornalistas e jornalistas, diplomados ou não. A única diferença é que a universidade não vai mais fabricar eleitores para a Fenaj & Cia.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 09h24
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SEXTA-FEIRA É DIA DE POESIA

GATO DA CHINA

José Paulo Paes

Era uma vez
Um gato chinês

Que morava em Xangai
Sem mãe e sem pai

Que sorria amarelo
Para o Rio Amarelo

Com seus olhos puxados
Um pra cada lado

Era um gato mais preto
Que tinta nanquim

De bigodes compridos
Feito um mandarim

Que quando espirrava
Só fazia chin!

Era um gato esquisito
Comia com palitos

E quando tinha fome
Miava ming-au!

Mas lambia o mingau
Com sua língua de pau

Não era um bicho mau
Esse gato chinês

Era até legal
Quer que eu conte outra vez?



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h15
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Eleição da APL: Elizo Matos recebe 25 votos e substitui Crispim na cadeira nº 3


 

Terminou há poucos instantes a apuração dos votos na Academia Paraibana de Letras. Com 25 votos, o novo imortal é o escritor Eilzo Matos, que concorreu com os escritores Josélio Gondim e João Trindade.

A posse de Eilzo Matos não está definida. Ele ocupará a cadeira nº 3, deixada pelo jornalista Luiz Augusto Crispim, morto no ano passado.

Eilzo Matos é escritor, jornalista e político, com destaque à sua atuação no sertão paraibano. Entre suas obras, estão “A Invasão das Cobras”, “A Super Quadra”, “Viajantes do Purgatório” e “Letras do Sertão”, entre outros.


da Redação

WSCOM Online (www.wscom.com.br)



Escrito por Linaldo Guedes ?s 13h45
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STF decide que diploma de jornalismo não é obrigatório para o exercício da profissão

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Por 8 votos a 1, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram na sessão desta quarta-feira (17) que o diploma de jornalismo não é obrigatório para exercer a profissão.

Votaram contra a exigência do diploma o relator Gilmar Mendes e os ministros Carmem Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello. Marco Aurélio defendeu a necessidade de curso superior em jornalismo para o exercício da profissão. Os ministros Joaquim Barbosa e Carlos Alberto Menezes Direito não estavam presentes na sessão.

Para o relator, danos a terceiros não são inerentes à profissão de jornalista e não poderiam ser evitados com um diploma. Mendes acrescentou que as notícias inverídicas são grave desvio da conduta e problemas éticos que não encontram solução na formação em curso superior do profissional. Mendes lembrou que o decreto-lei 972/69, que regulamenta a profissão, foi instituído no regime militar e tinha clara finalidade de afastar do jornalismo intelectuais contrários ao regime.

Sobre a situação dos atuais cursos superiores, o relator afirmou que a não obrigatoriedade do diploma não significa automaticamente o fechamento dos cursos. Segundo Mendes, a formação em jornalismo é importante para o preparo técnico dos profissionais e deve continuar nos moldes de cursos como o de culinária, moda ou costura, nos quais o diploma não é requisito básico para o exercício da profissão.

Mendes disse ainda que as próprias empresas de comunicação devem determinar os critérios de contratação. "Nada impede que elas peçam o diploma em curso superior de jornalismo", ressaltou. Leia aqui a íntegra do voto.

Seguindo voto do relator, o ministro Ricardo Lewandowski enfatizou o caráter de censura da regulamentação. Para ele, o diploma era um "resquício do regime de exceção", que tinha a intenção de controlar as informações veiculadas pelos meios de comunicação, afastando das redações os políticos e intelectuais contrários ao regime militar.

Já Carlos Ayres Britto ressaltou que o jornalismo pode ser exercido pelos que optam por se profissionalizar na carreira ou por aqueles que apenas têm "intimidade com a palavra" ou "olho clínico".

O ministro Celso de Mello afirmou que preservar a comunicação de ideias é fundamental para uma sociedade democrática e que restrições, ainda que por meios indiretos, como a obrigatoriedade do diploma, devem ser combatidas.

O único voto contrário no julgamento foi dado pelo ministro Marco Aurélio. Ele alegou que a exigência do diploma existe há 40 anos e acredita que as técnicas para entrevistar, editar ou reportar são necessárias para a formação do profissional. "Penso que o jornalista deve ter uma formação básica que viabilize a atividade profissional que repercute na vida dos cidadãos em geral", afirmou.

Disputa jurídica
Os ministros analisaram um recurso extraordinário interposto pelo Sertesp (Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo) e pelo Ministério Público Federal.

O recurso do Sertesp contestava um acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que afirmou a necessidade do diploma, contrariando uma decisão da primeira instância em uma ação civil pública. O Ministério Público Federal sustenta que o decreto-lei 972/69, que estabelece as regras para exercício da profissão de jornalista, incluindo a obrigatoriedade do diploma, não é compatível com a Constituição de 1988.

Em novembro de 2006, o STF garantiu o exercício da atividade jornalística aos que já atuavam na profissão independentemente de registro no Ministério do Trabalho ou de diploma de curso superior na área.

No último dia 30 de abril, os ministros do STF decidiram derrubar a Lei de Imprensa. Sete ministros seguiram o entendimento do relator do caso, Carlos Ayres Britto, de que a legislação, editada em 1967, durante o regime militar (1964-1985), é incompatível com a Constituição Federal.

Sertesp x Fenaj
Tais Gasparian, representante da Sertesp, afirmou durante julgamento que artigo do decreto-lei 972 apresenta incompatibilidade com artigos da Constituição Federal que citam a liberdade de manifestação do pensamento e o exercício da liberdade independentemente de qualquer censura. De acordo com Gasparian, a profissão de jornalista é desprovida de qualificações técnicas, sendo "puramente uma atividade intelectual". A representante questionou qual o consumidor de notícias que não gostaria de receber informações médicas, por exemplo, de um profissional formado na área e não de um com formação em comunicação.

Gasparian lembrou ainda que a obrigatoriedade do diploma foi instituída por uma junta militar que nem poderia legislar por decreto-lei. A ideia, defende a representante, era restringir a liberdade de expressão na época da ditadura, "estabelecendo um preconceito contra profissionais que atuavam na área", afirmou.

O Procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, afirmou que o curso superior de jornalismo age como obstáculo à livre expressão estabelecida na Constituição. "A atividade exige capacidade de conhecimento multidisciplinar", afirmou Souza, acrescentando que o diploma fecha a porta para outros profissionais transmitirem livremente seu conhecimento através do jornalismo.

Do outro lado estava a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), favorável ao diploma. O advogado da entidade, João Roberto Fontes, afirmou que a não exigência do diploma significa uma precarização das relações trabalhistas entre donos de conglomerados e jornalistas. "Haverá uma proletarização ainda maior da profissão de jornalismo, uma vez que qualquer um poderá ser contratado ao 'bel-prazer do sindicato patronal'", afirmou Fontes. O advogado lembrou que a imprensa é conhecida como o quarto poder. "Ora, se não é necessário ter um diploma para exercer um poder desta envergadura, para que mais será preciso?", questionou.

Grace Mendonça, em nome da Advocacia-Geral da União, citou a regulamentação em outras profissões para defender que o jornalismo também tenha suas exigências. Ao defender o diploma, Mendonça citou a figura do colaborador, que pode disponibilizar à sociedade seus conhecimentos específicos, e do provisionado, que poderá atuar em locais em que não haja jornalista formado. "A simples leitura do decreto, livre das circunstâncias temporais [do período do regime militar], não afronta a Carta da República. Seu conteúdo é constitucional", finalizou Mendonça.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h03
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Prêmio São Paulo de Literatura

Os organizadores do Prêmio São Paulo de Literatura 2009 já definiram a programação para os escritores finalistas. Durante o mês de julho, todos os autores finalistas, nas duas categorias, participarão de bate-papos com leitores em alguns locais de São Paulo: Livraria Cultura, Livraria da Vila e Casa das Rosas. Dia 6 de julho o escritor Rinaldo de Fernandes, radicado em João Pessoa, e que concorre ao prêmio com o romance "Rita no Pomar", participará, na Livraria Cultura, a partir das 18 horas, de um bate-papo junto com os escritores Marcus Vinicius de Freitas e Maria Esther Maciel. O tema do bate-papo será: "Escritores que ensinam". Rinaldo, que diss e achar a organização do Prêmio São Paulo impecável, além de escritor, é professor de literatura da UFPB, com doutorado em Letras pela Unicamp. Dia 3 de agosto, no Museu da Língua Portuguesa, será a cerimônia de entrega do Prêmio São Paulo, com a presença de todos os concorrentes, nas duas categorias. A Secretaria de Cultura de São Paulo, promotora do Prêmio, dará todo o suporte financeiro para que os autores finalistas se façam presentes nos bate-papos e na cerimônia final, inclusive pagando cachê de participição, hospedagem e transporte, além de inserção na mídía dos eventos.

ROMANCE COM TARJA

O romance "Rita no Pomar" já está indo para as livrarias com a tarja "Premio São Paulo de Literatura 2009/ Finalista - Melhor Livro do Ano - Autor Estreante". A Editora 7Letras, que publicou o romance, junto com a organização do Prêmio São Paulo de Literatura 2009, é que providenciou as tarjas. 



Escrito por Linaldo Guedes ?s 09h29
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Sempre que faço aniversário lembro daquele poema de Pessoa:

“No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer”.

Hoje, prefiro pensar de outra forma.

Sou feliz e muitas pessoas que amo estão vivas.

Como os amigos que estiveram comigo domingo na casa de minha mãe.

Como minha amada Amanda, companheira constante.

Como meus colegas de trabalho, sempre tão pacientes comigo.

Como minhas irmãs, guerreiras, verdadeiras, amáveis, queridas.

Como meus dois irmãos, íntegros, corretos, talentosos, queridos.

Como minha mãe, eterna ali, a escutar, ter paciência e amar a gente com devoção e de forma incondicional.

Como meu Vinícius, lindo, moleque, inocente – razão maior para eu segurar o trampo e continuar na lida.

“Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada”



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h24
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GILBERTO DIMENSTEIN

O dinheiro de Caetano Veloso
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Se Caetano quiser ter apoio da Lei Rouanet, que apresente um plano de shows públicos ou de aulas a estudantes de música
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PARA ASSISTIR NESTE final de semana ao show "Zii e Zie", de Caetano Veloso, paguei R$ 290 por dois ingressos -as duas horas de espetáculo terão custado mais da metade um salário mínimo ganho por muitos trabalhadores depois de um mês de trabalho. Apesar de as cadeiras, espremidas em torno de uma mesa, ficarem longe do palco e não apreciar gente bebendo ou comendo enquanto ouço música, não reclamo: o show vale o preço. Até me dispus a pagar um pouco mais se encontrasse um lugar melhor. Não tinha.
O que me incomodou foi saber que Caetano Veloso tem a chance de receber dinheiro da Lei Rouanet (R$ 2 milhões) para a turnê nacional desse espetáculo, com a interferência direta do ministro da Cultura, Juca Ferreira. Aparentemente, não há nenhuma ilegalidade no patrocínio -aliás, concedido, mais uma vez com a intervenção do ministro, a Maria Bethânia.
Nem Caetano nem Maria Bethânia estão fazendo nada de errado; estão seguindo o que a lei permite. Mas esse tipo de fato acaba estimulando o debate, cada vez mais efervescente, sobre a lei de incentivos fiscais para a cultura.
 

É óbvio que Caetano e Maria Bethânia não precisam de dinheiro público para fazer seus shows -assim como também não fez sentido, por exemplo, a verba incentivada para o Cirque de Soleil, cujo ingresso pode chegar até a R$ 490 e a pipoca (e aqui não vai nenhum exagero) custa mais do que o "PF" de um operário.
Supostamente, a reforma da lei de incentivo à cultura veio para corrigir essas e outras distorções e desperdícios. Isso não significa que se deva confiar na capacidade gerencial das burocracias públicas.
Se todo o dinheiro arrecadado até agora com o incentivo fiscal se transformasse em imposto e ficasse nas mãos só do governo, acabaria, em boa parte, sustentando salários de funcionários -isso se não ficasse preso por alguma restrição orçamentária ou fosse desviado para protegidos políticos. Desapareceram os bilhões de um fundo (Fust) para informatizar as escolas.
Se, na cidade de São Paulo, ir a museus virou programa de pobre, como mostra pesquisa do Datafolha, é por causa da lei de incentivos fiscais. Não haveria, por exemplo, um Museu da Língua Portuguesa -nem concertos de música erudita a preço popular.
 

A melhor contrapartida a esse do benefício fiscal é quando ele se converte em educação pública. É sabido que estímulos culturais como a dança, a música, o teatro, as artes plásticas e o cinema são uma extraordinária isca para o aprendizado -e uma alavanca para desenvolver na criança e no jovem a capacidade de interpretar a realidade. Não deveria, aliás, existir nenhuma separação entre educação e cultura. Não existe pessoa educada sem repertório cultural -e não existe repertório cultural sem educação.
Por isso, foi um avanço o acerto entre o governo federal e representantes de empresários para maior aproximação entre as escolas públicas e o chamado "Sistema S", como Sesi ou Sesc. Se está sendo implementado, é algo a ser observado -a minha impressão é de que, por enquanto, a ideia está mais no papel.
 

Na semana passada, relatório do Unicef mostrou, mais uma vez, a debandada de jovens do ensino médio. Se as escolas tivessem mais conexões culturais, seria menos difícil conter essa evasão.
Os incentivos seriam muito bem usados se a contrapartida se traduzisse não apenas em ingressos gratuitos mas também em programas para o envolvimento das escolas, com direito à formação de professor. Se o Caetano Veloso e todas as celebridades artísticas quiserem cobrar até R$ 500 por uma cadeira num de seus shows, sem problema.
Mas se quiser ter apoio da Lei Rouanet, ele que apresente um plano de shows públicos ou aulas-espetáculo para estudantes de música. As escolas poderiam transformar esses espetáculos em momentos inesquecíveis na vida dos jovens -e fontes de aprendizado.
 

Um pouco desse espírito transgressor aprendi a apreciar ouvindo Caetano Veloso. Pelo menos quando ele e tantos baianos se mostravam novos e caminhavam contra o vento sem lenço e sem documento.
 

PS - Por falar em educação e cultura, estou lendo um livro delicioso, intitulado "O Clube do Filme". David Gilmour, crítico de cinema canadense, tem um filho (Jesse) que não queria ir para a escola, onde não aprendia nada e não lia nenhum livro. Relutante, concordou que o garoto não precisaria mais estudar e poderia acordar quando quisesse, mas com uma condição: deveria ver e debater com ele todos os dias pelo menos um filme. As obras permitiram que Jesse não apenas sofisticasse sua visão do mundo mas também se interessasse em aprender. Perguntei a Gilmour, na semana passada, como estava seu filho: "Está feliz.
Voltou a estudar e, além de chef de cozinha, escreve roteiros para cinema". Pela repercussão do livro em várias países, Gilmour percebeu que a dificuldade de alunos brilhantes com suas escolas é um problema mundial. Coloquei em meu site (
www.dimenstein.com.br) trechos do livro. É o melhor livro para introdução ao cinema que já li -e um notável plano de aula sobre como se usa a arte para enriquecer o aprendizado.

gdimen@uol.com.br


(Transcrito da Folha de S. Paulo)



Escrito por Linaldo Guedes ?s 07h55
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SEXTA-FEIRA É DIA DE POESIA

COGITO

 Torquato Neto

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 07h44
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