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Zumbi escutando blues


Noturno

a lingerie
despe o imaginário

e o quarto
parece um aquário

onde peixinhos
só querem nadar em teu atlântico.

(Linaldo Guedes)



Escrito por Linaldo Guedes ?s 15h41
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Luiza, não lê os poetas nos livros

Confiram minha coluna de estréia no site Musa Rara, do poeta e amigo Édson Cruz.

A coluna fala sobre a poesia contemporânea feita no Brasil.

Endereço do site: http://www.musarara.com.br/

E a coluna pode ser acessada aqui: http://www.musarara.com.br/luiza-nao-le-os-poetas-nos-livros



Escrito por Linaldo Guedes ?s 17h42
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Ivan Lins e Eleonora Falcone se apresentam no ponto Cem Réis nesta sexta

O último final de semana de apresentações do 'Estação do Som' no Ponto de Cem Réis contará com as apresentações do cantor Ivan Lins e da cantora Eleonora Falcone, na sexta-feira (27). Os shows começam a partir das 19h e o público poderá conferir uma apresentação musical eclética com dois artistas de estilos diferentes. Os shows fazem parte do projeto 'Estação do Som', que está dentro da programação do 'Estação do Sol' e é uma realização da parceria entre a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) e Governo do Estado.

Grande conhecido do público e consagrado cantor da Música Popular Brasileira (MPB), Ivan Lins será a principal atração da noite. O cantor irá mostrar novos e antigos sucessos, sobretudo do CD 'Perfil', lançado em 2010 e regravado com músicas baseadas em arranjos originais, a coletânea reúne sucessos como "Madalena” e "Vitoriosa”.

Além das músicas do CD 'Perfil', o cantor irá apresentar diversas canções já conhecidas do público e que são de sua própria autoria em parceria com Victor Martins a exemplo de Dinorah, Dinorah, Abre Alas, Novo Tempo, Depende de Nós, Desesperar Jamais, Começar de Novo. Lembra de Mim, dentre outras.

O show que será apresentado no Ponto Cem Réis é baseado no CD, que comemora os 40 anos de carreira do cantor. Trata-se de um show intimista, com um toque jazzístico e com grandes sucessos de sua carreira, onde a qualidade musical é o ponto alto do espetáculo.

Atração local - Antes da apresentação do cantor carioca, Ivan Lins, a paraibana Eleonora Falcone vai explorar as relações entre a música pop contemporânea e os diversos estilos nordestinos e brasileiros. A proposta é estabelecer assim um diálogo entre a tradição e a contemporaneidade.

O show será um passeio pelos diversos trabalhos da artista. Em 'Pedaço de Sol', Eleonora canta repertório de sua autoria e de outros compositores paraibanos. De seu CD 'Eu tenho um pedaço de sol que guardo comigo desde menina', apresenta, entre outras canções, 'Carta de Amor' e 'Pedaço de Sol' (parcerias suas com Lúcio Lins), Nome na Areia (Paulo Ró e Águia Mendes) e Ô Serena Serená (Odete de Pilar).

A possibilidade de mostrar seu trabalho para um grande público anima a cantora. "Estou muito feliz por estar na 'Estação do Som', projeto que se tornou sinônimo de verão com música em nossa cidade, e por cantar repertório integralmente de autores paraibanos, contribuindo para o fortalecimento de nossa identidade cultural”.

A artista - Nascida em João Pessoa, Eleonora Falcone é cantora, compositora e produtora fonográfica. Iniciou sua carreira no Rio de Janeiro, lançando Apetite (2000), seu primeiro CD, onde registra canções de sua autoria e dialoga com nomes da cena musical carioca. A cantora se apresentará na cidade na companhia de trio formado por Anderson Mariano (guitarra e violão), Adriano Ismael (baixo) e Chiquinho Mino (percussão e bateria).



Escrito por Linaldo Guedes ?s 14h48
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II Blues do Nordeste reúne shows de 23 bandas nas duas primeiras semanas de fevereiro em Fortaleza


O Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 - Centro - fone: (85) 3464.3108) realizará a mostra II Blues do Nordeste, nas duas primeira semanas de fevereiro (1º a 4, e 8 a 11).


Num significativo recorte da cena de Blues, com a apresentação de 23 shows musicais, o evento reunirá os principais adeptos do gênero em Fortaleza, além da participação de alguns grupos convidados do Piauí (Clínica Tobias Blues), Rio Grande do Norte (Gustavo Cocentino), Alagoas (Barba de Gato) e Rio de Janeiro (Black Dog). 


"Vale ressaltar a importante parceria com a Associação Casa do Blues, que através de ações desenvolvidas em pontos estratégicos da cidade, há muito tempo vem contribuindo para a formação de novos músicos adeptos ao gênero e de novas plateias", enfatiza o coordenador da mostra, André Marinho.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 09h08
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Documentário sobre aboio começa a ser gravado em São José dos Ramos

A cultura do aboio é tema do documentário que está sendo produzido por 20 jovens capacitados através do projeto de audiovisual Janela do Mundo, aprovado pelo Programa BNB de Cultura 2011, em parceria com o BNDES. As gravações do curtametragem estão acontecendo esta semana em São José dos Ramos, conhecida como cidade do aboio e do vaqueiro.

Os jovens moradores do município participaram do curso de audiovisual, que foi realizado durante seis meses e que tem como conclusão a realização do documentário. As primeiras gravações do curtametragem sobre vaqueiros e aboiadores começaram no último domingo (22/01) e seguem até esta sexta-feira (27/01) na Fazenda Pirapanema, em São José dos Ramos, que fica a 82 km de João Pessoa, na mesorregião Zona da Mata paraibana.

“A história e os sentimentos dos vaqueiros serão eternizados nesse documentário”, disse o produtor Dudé Rodrigues, que compõe a equipe ao lado de Marcelo Quixaba, orientador, e Edglês Gonçalves da Silva, coordenador no município.

Para Adriano Roberto, um dos participantes e que executa a função de diretor do documentário, o projeto conseguiu mostrar a linguagem do cinema em seus cinco módulos. “Tem sido uma experiência ímpar, com aprendizagem satisfatória. Eu sempre tive vontade de participar de audiovisual, mas faltava oportunidade, e esse projeto foi uma janela, uma janela para o mundo”, observou.

Além de produzir uma obra audiovisual documental de curtametragem concebida a partir de ações que promovam a cidadania e a cultura dos moradores de São José dos Ramos, o projeto tem como objetivos manter viva a memória para o resgate da autoestima da comunidade, estimular uma visão crítica da linguagem do audiovisual nos moradores e difundir a potencialidade econômica da região, tendo o turismo como foco para o desenvolvimento sustentável.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 15h21
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A lírica agreste de Linaldo Guedes

Antônio Mariano

    Uma frase atribuída a Leon Tolstói (e por demais conhecida para nos furtarmos da transcrição) trata da fórmula para o encontro da universalidade através do canto da própria aldeia. Tem servido de aporte para autores mais experientes aconselharem os mais jovens sobre que tônica de ambição darem à sua literatura. Linaldo Guedes, um poeta nascido numa  cidade sertaneja de um estado nordestino brasileiro, tem seguido à risca em sua poética, como muito de seus pares mundo afora,  a lição deste escritor russo do século XIX.

    Venho acompanhando por duas décadas a militância em poesia de Linaldo Guedes, que passou pelo grupo performático Poecodebar há 20 anos, publicando Os zumbis também escutam blues, em 1998, Intervalo lírico, em 2005, e este  Metáforas para um duelo no Sertão, novo projeto que nos chega às mãos.

    Penetro em silêncio estas paisagens. Primeira constatação: Linaldo é um poeta determinado em não se esconder por trás das palavras. Engana-se quem pensar que isso o torna mais fácil. Se Poesia não é difícil, como declara Carlos Filipe Moisés em seu belo e degustável livro tese, não quer dizer que não requeira esforço para tê-la e contê-la. Carece de intimidade com a matéria, um entranhar-se sem fim. Assim é o autor em página, em tela. Este transparente enigma,  que o poeta constrói e doa, tem dor e tem dó de tantos mundos, funde-se em si mesmo e mais confunde o leitor.
   
    Vai um pouco desta exposição que ele anuncia em (a) caba (que é) marcado, um tanto referencial e intertextual, para começo de conversa:

“sou um homem marcado

marcado para doer

gado preso no curral
quando não, abatido

comendo baudelaire
na erva daninha de meu capim”.

    Sim, fui encontrar o retrato do sertão linaldiano querendo-se definir onze poemas à frente, quando arremata a referida peça embriagando-se do vinho e da virtude de um poeta francês. Charles Baudelaire, um criador completo e complexo divisor de tantas águas da poesia universal que tornou-se perplexa e reencontrou-se em seguida, depois de suas porradas impiedosas. Mas eu poderia também começar definindo-o de modo simplista pelo que diz nos dois primeiros versos de Quimera, seu oitavo poema, ávido de infinitude:

“vontade de ser feliz
e não chorar como o menino que chora no último banco de lorca”.

    Típico de uma poesia contemporânea que vive a referência em cada verso, mais uma vez nós vemos um poeta que evoca outros pares para definir sua visão e sentimento de mundo. Federico García Lorca, planta e fruto ceivado pela loucura de um ditador do século XX, sempre me disse muito com seu olhar (des)encantado. A vontade, como algo a ser alcançado, só expõe cada vez mais esse menino que não quer chorar, mas que ainda não atingiu tal objetivo. Há, contudo, um porém, como nos faz ver em Primeira infância, adversativa só compreendida numa geografia subjetiva: 

“os meninos do sertão
já nascem sorrindo para a rua
(…)
os meninos do sertão nascem livres para sonhar”.

    Lá vou eu desembestado pelas estradas de barro deste Sertão, quero reduzir a marcha e sou impedido. Giro em círculos e não consigo sair da quinta, mas volto atrás nesta coletânea, volto à quinta, à quinta peça. Aconselhável um bom lombo de jumento, melhor desapear, zanzar a pé, degustando e remexendo com o quengo o que tem no caldeirão de Linaldo neste  Condimento:

“é saber da cheia
que resseca o sertão

com a pele do olfato
transbordando águas
entre coxas, buracos e palato (...)”

    Linaldo Guedes compôs mais de uma centena de poemas integrando este  Metáforas para  um duelo no Sertão. Considerável número de objetos. Plural quis ser. Tantas vezes substantivo, tantas vezes adjetivo. Metáfora, figura de linguagem literária desgastada, abusada por tantas mãos inábeis que perdeu a graça para os poetas ambiciosos de invenção. Metáforas há que aqui se revestem de senso e sensibilidade. Figurações que a mim me soam mais interessantes porque Linaldo embora as use, como comumente se faz (e, me desculpem,  estrategicamente me dou o direito de não indicá-las), vai além na titulação e definição do projeto desta reunião de poemas. Tonto ma non tropo, o poeta persegue outro tropo (como coletivamente nos conceitua o Dicionário Aurélio) na conhecida  “transferência  de uma palavra para um âmbito semântico que não é o do objeto que ela designa, e que se fundamenta numa relação de semelhança subentendida entre o sentido próprio e o figurado”. Duelo, que o mesma fonte vai definir como “combate entre duas pessoas” (1) e com “armas iguais” (2), aqui vai igualmente ampliado de significações, afirmando e negando signos/significados/significantes quando no eu lírico do poeta vamos encontrar várias pessoas e, na acepção do vocábulo, outras gentes, seres, objetos, sensações, contradições, falas, apelos, negações, contradicções... E o Sertão? O sertão é o dele, não mais dele quando agora o pinta com palavras e leituras que tomou de empréstimo e dele o tomamos, sorvemos.

    Se neste sertão pretérito não tem os pecados que a romântica ignorância e alienação traz, pois “no sítio, ninguém sabia que existiam guerras do outro lado do azul” (Sossego), o sertão presente de Linaldo “tem semanas e dias dezembros/onde espero, só nos livros/: é natal, temos que recomeçar” (Entre o rio e o mar). O que no Lamento o poeta tenta responder que é “apenas a névoa/ de um tempo escondido pela sombra das horas”.

    Um sertão apaixonado ao extremo, como visto em tantas voltas, definha em momentos a exemplo de Pote de ouro:

“(no fim do arco-íris
o olhar do vaqueiro
em preto e branco)”.

    A vida em poesia...

    A vida em poesia é, sim, solidão como nos prazeres primários descritos em Singular:

 “apenas uma:
 
se tu, luva,
te encaixas em minha mão

por que procurar outra vulva?”

     A vida em poesia é, sim, desencanto, como em Déjá vu:

“entendo, querida
fui muito dócil com você
e as mocinhas gostam mesmo de bandidos

no faroeste tupiniquim que sobrevivemos
é muita fala para pouca bala

e os cartuchos se esvaziam rapidamente
no coldre do revólver”.

    Ou desapontamento como em Renúncia:

“e o grito que não vinha
veio,
vinícius,
mas ficou mudo,
inútil ludo,
sem eco no escuro quarto”.

    A vida em poesia é além disso esperança, como em  Colheita:
 
“sempre existe um oásis

mesmo quando a seca seca tudo

inclusive a dor de não saber colher beijos”.

    O que cabe neste micromundo e é tudo, mais que as certezas, fruto da perplexidade do poeta, matéria maior do seu métier, como vemos em Curral:

-“nunca consegui entender
a melancolia que ecoava
nos chocalhos das vacas!”
   
    Ávida de poesia, a pessoa lírica do habitante Linaldo Guedes vê mais. Sem maniqueismo e ilusão de jardins sempre floridos. A vida em literatura, essa Guerra (quase) sem testemunhas para lembrar Osman Lins, um dos caros pensadores do ofício de escrever.
   
Metáforas para um duelo no Sertão vai apontar um poeta lúbrico em essência, tal a reincidência da temática erótica e amorosa nesta coletânea que o leitor encontrará com rapidez, justificada em qualquer Motivação: “confesso que não soube segurar seus bicos//(por isso)/não sou alegre/não sou rico/:só, maldito” e, admire-se, até em Da falta de inspiração: “às vezes/ a dificuldade do poema/ está/ no olhar que não surge/ na blusa/ que a musa/ teima em usar”. Subversiva, diga-se de passagem, contestadora em todos os vieses é a marca predominantemente dialogante que sua poética traz. Faca de arrasto que abre caminhos de um lado a outro da obra nas caatingas do sem-sentido. Baudelaire, Lorca,  Bandeira, Drummond, Quintana, Pessoa, Mario de Andrade, Dostoiévski, Caetano, Maiakóvski, Augustos (Anjos e Campos), Rosa. Testemunha de seu tempo, não dispensa uma conversa mole com ícones dos movimentos populares como Guevara e até mesmo referência às redes sociais, como o twitter. Merece nota também o tom marcadamente confessional e memorialístico, autobiográfico mesmo, dos poemas, como tudo o que um autor escreve diz do que ele percebe objetiva e subjetivamente.
   
Linaldo Guedes cultua uma poesia simples, sem grandes laivos de invenções, malabarismos de linguagem. Em sua maioria, seus poemas são fluentes, impulsivos, predominantemente coloquiais. Não é à toa que, sendo um dos líderes do já mencionado Poecodebar, ao lado de jovens poetas e inspirados nas práticas do guru Jomard Muniz de Britto, escreveu a maior parte de seus primeiros versos em guardanapos de mesa de bar. Some-se a essa escrita espontânea os desafios do batente das redações dos jornais, que ele exerce praticamente desde a mesma época do início da militância literária, e temos o perfil da expressão formal deste poeta. Mais definido e mais experiente esse criador, testificamos essa trajetória para encontrar um autor mais voltado para uma poética de ideias e ideais, de atitudes do dizer. O que não implica em deméritos nem elide possibilidades mais positivas. Assim, constatamos grandes momentos da obra com que nos identificamos e encontrarmos peças bem realizadas do ponto de vista ideativo, imagético, rítmico e sonoro a exemplo de Intenso, Mapa de rugas, O guardador de segredos, Partida, Lamparina, Luz del fuego, Singular, Ocas, No dia sem juízo final, Déjá vu, Renúncia, Memória erótica e Pote de ouro, para referir alguns que marcaram minha compensadora leitura ao lado de outros já assinalados em transcrições e outros ainda que a natural injustiça que a brevidade de um texto como esse obriga a cometê-la.
     
Não paremos, pois. Não nos rendamos às traidoras conclusões, se é isso o que se quer. Metáforas para um duelo no Sertão é também uma sábia advertência. Atentemos. Onde se lê: um livro de poemas de um nordestino, leia-se: entre metáforas e duelos em tantos sertões. Leitura, notas, nocautes. Depois da 106ª volta. Há caminhos! Sigamos adiante com Linaldo Guedes.

(Prefácio do livro “Metáforas para um duelo no Sertão”, que será lançado em fevereiro em João Pessoa, pela Editora Patuá, e depois em outras cidades do país)
   
- Antônio Mariano é poeta e contista paraibano



Escrito por Linaldo Guedes ?s 15h01
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LEAD DO POEMA


Je vous salue


evangélicos

ciscam em torno da ceia alheia


não há pratos


só a fome

de uma gente acostumada a dizer amém!


(Do livro "Os zumbis também escutam blues e outros poemas", A União/Textoarte Editora, 1998)


Comentário:

Este poema começou a ser rascunhado numa das mesas do antigo La Veritá, na Lagoa do Parque Solon de Lucena, onde hoje é a loja C&A.

Estava numa mesa com Carlos Aranha e Gustavo Magno. De repente, o garçom Oliveira começa a juntar umas dez meses, para um encontro de evangélicos para comer pizza no local.

A cena acabou rendendo o poema.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 09h21
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SEXTA-FEIRA É DIA DE POESIA

Xamã moderno

um morcego pousou no meu quarto
olhou olhou, mas não cortou minha singularíssima pessoa

enxergou no escuro
o que era claro no plural de peles que se amavam na cama

sacerdote em transe
ligou radares e assustou olhares que se inflamam
no contato xamã

: toques que se tocam na luz fosca da manhã

depois voou, para o além augustiano da poesia.

(Linaldo Guedes)



Escrito por Linaldo Guedes ?s 17h02
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Teatro Íracles Pires, em Cajazeiras, comemora 27 anos com programação diversificada

O Teatro Íracles Pires (Ica), na cidade de Cajazeiras, completa 27 anos de fundação na próxima quinta-feira (26). Para comemorar a data, o Governo do Estado, por meio da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), elaborou uma programação que inclui espetáculos, lançamento de livro, debates, mostras, shows musicais, feiras e oficinas de artes. As atividades acontecerão no período de 26 a 29 deste mês.

A programação foi divulgada pelo diretor do Ica, o ator Orlando de Queiroz Maia, conhecido na região como "Mainha”. A solenidade de abertura será na quinta-feira (26), às 19h, quando acontecerá uma sessão especial da Câmara Municipal de Cajazeiras, em homenagem aos 27 anos do teatro, e a entrega do Título de Cidadão Cajazeirense ao poeta Irismar de Lira, o qual lançará o livro "Aldeia Poética”.

Em seguida, às 19h30, terá início a Feira de Artesanato. Ela funcionará todas as noites, no mesmo horário. Já às 21h, haverá apresentação do espetáculo de dança "Libertango” (de João Pessoa), vencedor da 16ª Mostra Estadual de Teatro e Dança.

Na sexta-feira (27), às 16h, será realizado um debate sobre Políticas Públicas de Cultura com a participação de Lúcio André Rodrigues, assessor da Representação Regional do Nordeste do Ministério da Cultura, sediada em Recife (PE). Às 21h, haverá apresentação do Grupo de Reisado Zé de Moura (do município de Poço José de Moura) e do Grupo de Dança de Rua MCs (de Cajazeiras), que foi o segundo melhor espetáculo do Fenerd 2011. Às 22h, começa a "Noite do Forrock”, com show da Banda Pegado e a Peleja e do sanfoneiro Chico Amaro (de Cajazeiras), no Bar do Couro, anexo ao teatro.

No sábado (28), às 16h, o convidado Ubiratan de Assis comandará um debate sobre a "História do Teatro Cajazeirense”. Às 21h, haverá apresentação do espetáculo teatral "Domingo no Bar do Couro”, terceiro colocado da 16ª Mostra Estadual de Teatro e Dança.

A programação do domingo (29) começa às 16h, com apresentação do espetáculo infantil "O Palhaço do Planeta Verde” (Cajazeiras). Em seguida, às 18h, será exibido o filme "O Sonho de Inacim” (Cajazeiras) e ocorrerá um bate-papo com o diretor Eliézer Rolim. Às 21h, haverá show musical, com o cantor Jocélio Amaro.

Histórico

O Ica, ligado administrativamente à Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), foi uma conquista do movimento artístico nos anos 1990 perante o Governo do Estado, justificada pela força artística da chamada "terra da cultura�



Escrito por Linaldo Guedes ?s 14h57
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Pop rock de Lulu Santos anima praia de Tambaú neste sábado

Quem sobe ao palco do projeto Estação do Som neste sábado (21) é o cantor e compositor Lulu Santos. Entre canções que embalaram gerações e músicas inéditas, o artista, um dos maiores nomes da música pop nacional, apresenta o show do último CD "Lulu Santos Acústico MTV II”, lançado em 2010. A cantora Gláucia Lima fará a abertura do show, a partir das 21h, com um repertório inspirado nas tradições da cultura popular nordestina. O evento é uma promoção da Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), por meio da Fundação Cultural (Funjope).

Depois de vários anos, Lulu Santos volta a João Pessoa para apresentar o seu mais novo trabalho. Reassumindo o formato acústico, já consagrado no ano de 2000 com o "Lulu Santos Acústico MTV”, o cantor assume a guitarra e lança uma canção inédita "E tudo mais”, além de mergulhar na redescoberta de grandes clássicos da sua carreira como "Dinossauros do Rock” e "Brumário”.

Envolto por cenários de inspiração africana, assinados por Claudio Amaral Peixoto e Karen Araujo, Lulu faz sua própria world music, com toques orientais, sobre uma base brasileiríssima. Ele canta à frente de Jorge Aílton (baixo e vocais), Chocolate (bateria), Hiroshi (teclados), Silvio Charles (percussão e vocal), PC (sopros e percussão) e Andrea Negreiros (vocais, tambura e percussão).

Apesar das canções menos conhecidas, o artista, que tem quase 30 anos de carreira, também traz no repertório do show músicas de sucesso, que embalaram muitas gerações, como "Papo Cabeça”, "Tudo Azul”, "Tempos Modernos”, "Já é”, "Apenas mais uma de Amor”, "Como uma Onda”, "Último Romântico” e muito mais.

Abertura do show – A cantora paraibana Gláucia Lima apresenta o show Zanzar. No repertório, canções produzidas por artistas paraibanos como "Tabajara”, "Leveza na Alma”, "Contos da Oca Ôca”, "Os Inácios” e muito mais. Ela é uma das atrações selecionadas pela Funjope para abrilhantar ainda mais o projeto.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 16h03
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Livro Cangaceiros do Nordeste será lançado na Livraria do Luiz


O livro Cangaceiros do Nordeste, de Pedro Baptista,confeccionado pela Sebo Vermelho Edições, editora de Natal (RN), será lançado nesta sexta-fera, dia 20, na Livraria do Luiz, na Galeria Poeta Augusto dos  Anjos, às 16h00.O evento também marca a reinauguração da ampliação da livraria, com quarenta anos atuando no mercado da cidade de João Pessoa.


Publicado originalmente no ano de 1929, setenta e dois anos depois o livro é reeditado em edição fac-similar, a partir de um exemplar cedido pelo professor Francisco Pereira de Lima, de Cajazeiras, organizado pelo sebista e editor Abimael Silva, do Rio Grande do Norte.

Tendo sido publicado em 1929, o livro do paraibano Pedro Baptista leva o leitor a um passeio pelo Nordeste entre o final do século XIX e inicio do século XX, com o surgimento de grupos de homens armados que passaram a atuar na região. O mais famoso dos cangaceiros, Virgolino Ferreira da Silva, Lampião, não aparece como figura central. São tratados outros cangaceiros que também atuaram em vários Estados, sobretudo Paraíba e Pernambuco. 


Cangaceiros do Nordeste conta a história do cangaço, do ano de 1724 até o começo do século XX, na Paraíba, Pernambuco, Piaui, Ceará e Rio Grande do Norte e destacam nomes de cangaceiros conhecidos e outros desconhecidos, como Padre Veras, José Antônio, Cabeleira, José Félix Mari, Jesuino Brilhante, Liberato e outros, que tiveram um raio de atuação por toda Serra do Teixeira, Serra da Borborema e Pajaú. A Paraíba é diversas vezes citada como palco das ações destes bandoleiros.


O livro de Pedro Baptista se constitui numa raridade no gênero, mesmo que não tenha referência a Lampião, mas traz uma rica biografia de muitos outros bandoleiros que habitaram a região e não  conhecido do grande público.


O autor nasceu na Paraíba no ano de 1876 e faleceu em 1937, sem percebe a importância de sua obra.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h48
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Livro do poeta Iverson Carneiro será lançado hoje

O poeta e teatrólogo paranaense, Iverson Caneiro, vai lançar na Capital paraibana o livro "Moleque Velho”, nesta terça-feira (17), às 19h, no Teatro Lima Penante. A capa da obra é assinada pelo artista gráfico Igo Vinícius Carneiro, filho do autor, e os prefácios são do cantor e compositor Chico César e do poeta e jornalista carioca Tanussi Cardoso. O evento tem o apoio da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope).    Iverson Carneiro vê em "Moleque Velho” o retorno à cena de um poeta que crê não ter criado nenhum de seus poemas. O autor costuma dizer que os capturou no ar, onde habitam todos os versos, e deu-lhes vida.

Natural de Belém do Pará, Iverson Medeiros Carneiro viveu a infância e parte da adolescência na cidade de Bragança, no mesmo estado. Começou a escrever em 1976, mas só publicou seu primeiro livreto, "Palavras pra quem tem boca pra cantar e gritar”, em 1981, quando já morava em João Pessoa.

Em 1979, Iverson participou do projeto "Lá vem a moçada pelas ruas da cidade”, embrião do Movimento dos Escritores Independentes da Paraíba (Mei), juntamente com poetas e compositores da terra, como Pedro Osmar, Paulo Ró e Chico César, só para citar exemplos. Quatro anos depois, publica o segundo livreto "Poetizando Marginalmente” e participa do Primeiro Festival de Poesia de Rua, em Salvador (BA). De lá para cá, lançou várias outras obras.   

Atualmente, o poeta mora na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro. Ao longo últimos 30 anos, ele atuou também em várias peças de teatro, seja como ator ou diretor, e teve inúmeros textos publicados em jornais e revistas de todo o Brasil.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 16h31
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ENTREVEROS dentro e fora da INTERPOÉTICA 


Jomard Muniz de Britto, jmb 


Ai se você me  l a r g a!  Todo cuidado com as TERCEIRAS OPÇÕES. 


Sem remorsos.


Qualquer escolha, leitura, escuta pode ser COMprometedora. Eu sou neguinha? Ou menino do rio sem antenas parabólicas? Neguinho cruzando alternativas para a POP FILOSOFIA.


Entre populares e eruditos salve-se quem souber da pergunta: O QUE É ISSO? Ai se você finge entender! Filhos de Santo convivendo com Filhos de Comte ainda curtindo a Religião da Humanidade pelas cinzas carnavalescas. Ai se você me pega sem licitações!


Entreveros  de alternativos e acadêmicos sem editoras. TUDO DÓI. NADA CORROI. Um novelho  Sarau Filosófico pode ser um exercício TRANS: além do bem e do mal, da escrita gritante e da surdez pensante, dos paradoxos e patrocínios, do Esquenta no aquecimento global, do MORCEGO CEGO ao VERANEIO nos entrelugares.


Ressignificação do MARXUMBANDISMO pela mais valia dos memorialistas. Ai se você me pergunta: o que significa o NADA? Sem culpas nem perdões.


CONVOCAÇÃO para o 7° SARAU FILOSÓFICO do Bloco do Nada no próximo dia 8 de fevereiro, na Livraria Cultura do Recife, a partir das 19 horas. 


Ai se você não aparecer, se você me pegar, se você se autoexcluir!



Escrito por Linaldo Guedes ?s 12h31
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O sertão particular de Linaldo Guedes

Cecília Lima
Cecilialima.pb@dabr.com.br


Um homem e seu sertão interior. A poesia do paraibano Linaldo Guedes é impregnada não apenas das lembranças da sequidão do cenário onde nasceu em 1968 e viveu sua infância - a cidade de Cajazeiras. Há, além disso, a aridez de suas inquietações particulares e a sensibilidade de “matuto treinado”, que fala pouco e escuta muito. Essa é a essência do terceiro livro do autor, Metáforas para um duelo no Sertão, publicado pela editora Patuá de São Paulo e disponibilizado ao público neste início de ano.

Linaldo Guedes é poeta e jornalista. Já lançou dois livros de poemas: Os zumbis também escutam blues (Editora A União, 1998) e Intervalo Lírico (Forma Editorial, 2005), além de poemas publicados em antologias e diversos sites de literatura em todo o país e no exterior. O lançamento de Metáforas para um duelo no Sertão está previsto para o início de fevereiro em João Pessoa, em data ainda a ser confirmada. Depois, o poeta deverá lançar a obra em Campina Grande, Cajazeiras, Recife, São Paulo e Brasília. O livro já pode ser adquirido através do site www.editorapatua.com.br.

“A inspiração para fazer poesia vem     da observação do cotidiano, antes de tudo. Mas minha poesia tem muito de autobiografia. São minhas vivências, meus conflitos e inquietações, que fazem brotar poemas em meu Sertão lírico”, reflete Linaldo, que é também jornalista e atualmente faz parte da equipe do jornal O Norte como editor do caderno de Política. Desta tendência “autobiográfica” é que surgem poemas de temáticas tão diversas como o erotismo e a própria falta de inspiração para escrever.

Apesar de ter deixado Cajazeiras aos 11 anos para viver na capital, João Pessoa, o autor considera relevante para sua poesia o período em que morou no da Paraíba. “Sai de lá muito cedo, mas muita coisa ficou na memória. Lembranças de meus avós e primos, das tradições religiosas, das primeiras brincadeiras. E influências também da paisagem sertaneja, da vida mais lenta e da forma mais conservadora de ver o mundo. No livro há muitos poemas que remetem a esse universo”.

A presença do Sertão na poesia de Linaldo Guedes é abordada no prefácio do novo livro pelo também poeta Antônio Mariano, que em seu texto faz uma constatação: “Linaldo é um poeta determinado em não se esconder por trás das palavras”. O prefaciador faz mais observações sobre o estilo do poeta. “(Ele) cultua uma poesia simples, sem grandes laivos de invenções, malabarismos de linguagem. Em sua maioria, seus poemas são fluentes, impulsivos, predominantemente coloquiais”, avalia.

Metáforas para um duelo no Sertão traz também citações expressas de escritores que dialogam com a obra de Linaldo Guedes, a exemplo dos poetas Charles Baudelaire em “(A) caba (que é) marcado” e Federico Garcia Lorca em “Quimera”. A lista de “inspiradores” é grande, garante Linaldo. “Desde os 12 anos sou um consumidor voraz de livros, principalmente de poesias. É natural que muitos autores acabem ‘invadindo’ minha produção vez por outra. Tenho admiração pela poesia de Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Oswald de Andrade, Augusto dos Anjos, Augusto de Campos, João Cabral de Melo Neto… São muitos”.

Muitas das poesias que hoje integram Metáforas para um duelo no Sertão foram previamente postadas no blog que Linaldo mantém há anos: www.linaldoguedes.blog.uol.com.br. Para ele a internet é um veículo muito poderoso, mas sem ter o poder de alterar a forma de escrever, servindo apenas para divulgação. “Todos os meus poemas inéditos são publicados primeiro em meu blog, que funciona como uma espécie de laboratório. Depois decido se publico ou não em livro, geralmente com alterações. A interação é legal. Hoje, redes sociais como twitter e facebook esvaziaram um pouco a força desse tipo de canal”.

(Matéria transcrita da edição do jornal O Norte de domingo, dia 15 de janeiro de 2012)



Escrito por Linaldo Guedes ?s 16h39
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LEAD DO POEMA


A formiga e o gafanhoto


a manhã

está cercada por gafanhotos

todos cansados

dos fardos e fardões

da cidade adormecida


na manhã

hã uma cerca de arame

e um muro fechado

com um buraco no meio

para os gafanhotos passearem.


(Do livro "Os zumbis também escutam blues e outros poemas", A União/Textoarte Editora, 1998)


Comentário:

Este poema foi escrito em resposta à Academia Paraibana de Poesia.

Na época em que foi escrito, início dos anos 90, travávamos uma polêmica com a Academia.

Motivo: o Poecodebar (grupo de poesias coletivo do qual fazia parte) lançou uma Manifesto literário e neste havia uma frase que incomodou a Academia: “Nossos guardanapos tem mais utilidade do que a Academia Paraibana de Poesia”.

A presidenta da entidade na época, Helena Raposo, foi aos jornais e nos chamou de vírus, ratos, formas não humanas, gafanhotos, etc... A polêmica rolou na imprensa por um bom tempo e desse ataque destemperado da presidenta da Academia surgiu o poema “A formiga e o gafanhoto”.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 09h10
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